Todos gostamos de brilhar quando damos um almoço ou um jantar em casa e sabemos que o que escolhemos para acompanhar a refeição é um ponto importante e que pesa na altura de decidir o que comer. Há muito tempo que a harmonização entre pratos e vinhos deixou de ser exclusividade dos restaurantes e está cada vez mais enraizada na vida de casa e, em casa dos verdadeiros apreciadores, a escolha do vinho vem primeiro que a escolha dos pratos.
Existem harmonizações (ou pairings) óbvias como um espumante acompanhar um prato de leitão assado, um branco do Douro acompanhar um prato de peixe grelhado ou um vigoroso tinto do Dão acompanhar um prato de cabrito. Mas o mundo dos vinhos velhos tem muito mais a oferecer do que o óbvio e neste artigo, propomos-lhe 5 soluções que o podem ajudar nas suas harmonizações.
Estas são as nossas sugestões:
Dom Pérignon Vintage 2009
O que dizer sobre este nobre Champagne que ainda não tenha sido dito… Para muitos o pináculo da região de Champagne e uma das marcas mais reconhecidas do mundo, sendo muitas vezes apreciado sozinho, sem harmonizar com qualquer comida, de tão exclusivo que é. Bem sabemos que essa exclusividade tem um preço ainda mais com os recentes aumentos de preço dessa região, motivados por anos menos favoráveis e por uma explosão na procura. Contudo, continua a ser merecedor da nossa adoração, especialmente este Dom Pérignon Vintage 2009 que está numa forma invejável e, na nossa opinião, um dos melhores Vintages que já provámos.
Richard Geoffroy, “chef de caves” do Dom Pérignon, garante que precisou da experiência de todas as colheitas anteriores para ousar fazer este Vintage 2009. É um dos melhores champanhes do mundo, que só chega ao mercado quando a colheita foi de qualidade excepcional.
Castas: Pinot Noir
Vinificação: O período de excelentes condições climáticas de 2009 foi sem precedentes e permitiu-nos explorar novas fronteiras de maturação das uvas em Champagne. A vindima oferece a degustação da fruta mais madura e rica, uvas no seu auge, com a promessa da frescura e energia do futuro vinho. A colheita de 2009 encerra uma década prodigiosa, ensolarada, ousada e generosa.
Notas de Prova: No nariz, notas de goiaba e raspas picantes de toranja verde combinam com frutas de caroço: pêssego branco e nectarina. O vinho abre-se, com o conjunto complementado por baunilha amadeirada e brioche quente e levemente tostado. Na boca, a fruta é majestosa: madura, carnuda e profunda. Para além da riqueza e de uma certa volúpia prevalece uma forte impressão de consistência. O poder deste champagne é notavelmente contido. As diversas sensações — sedosa, salgada, melosa, amarga e salgada — convergem e persistem.
Sugestões: Deve ser servido entre 8ºC — 10ºC. O vinho é o acompanhamento perfeito para ostras e mariscos.
Enologia: Richard Geoffroy
Teor Alcoólico: 12.5%
Luis Pato Quinta do Moinho Tinto 2000
Mais um vinho exuberante produzido por um dos senhores da região da Bairrada, para muitos um verdadeiro mago do vinho chamado Luis Pato. Não se deixe enganar pela leveza do rótulo, este Luis Pato Quinta do Moinho Tinto 2000 um vinho poderoso e verdadeiramente mágico que assim que se prova sabemos estar na presença de algo muito especial. Com uma longevidade incrível como só a casta Baga consegue produzir, é verdadeiramente apaixonante. Hoje, com 24 anos está numa tremenda forma e, na nossa opinião, durará sem qualquer problema outros 24 se não mais.
É um tinto produzido exclusivamente da casta Baga com monda em verde no início de Agosto. Vinificado durante 2 semanas em cubas de inox sob controlo de temperatura. Estagiou em cascos de carvalho Allier durante 12 meses. Para harmonizar com carnes de caça, e quando atingir os 10 anos de vida, com um bom queijo de ovelha curado.
Castas: Baga
Vinificação: Vinificado durante 2 semanas em cubas de inox sob controlo de temperatura.
Envelhecimento: Estagiou em cascos de carvalho Allier durante 12 meses.
Notas de Prova: Granada profundo na cor. Aroma evolutivo complexo, floresta, terra molhada, cogumelo e couro, apontamentos de café com doce de frutos silvestres. Muito bom ataque na prova de boca, mostra força e muita vida, tanino amaciado pelo tempo, final com muita frescura. Um Baga de meia-idade que não quer envelhecer.
Sugestões: Deve ser servido a uma temperatura de 15ºC — 16ºC. Acompanha bem carnes de caça e queijo de ovelha curado.
Enologia: Luis Pato
Teor Alcoólico: 12.5%
Casa Ferreirinha Reserva Especial Tinto 2001
Estarão os vinhos do Douro à altura do status que a sua região conseguiu obter? Este Casa Ferreirinha Reserva Especial Tinto 2001 não só responde afirmativamente a essa pergunta como diz claramente que enquanto houver vinhos desta qualidade o legado do Douro está assegurado. E é bem verdade.
A história deste vinho é sobejamente conhecida, quando não é ano do famoso Barca Velha, o vinho é convertido neste Reserva Especial. Em teoria, estamos na presença de um vinho que tem todas as características de um Barca Velha à excepção de uma ou duas bocas experientes e refinadas que decidiram o contrário. Para nós, comuns mortais, continua a ser um vinho de todo comparável ao seu reconhecido irmão mais velho.
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Notas de Prova: Cor rubi profundo. Aroma complexo, intenso e notas de frutos vermelhos, cedro, caixa de tabaco, frutos pretos, pedregoso, floral, pimenta, cravinho e com madeira de excelente qualidade. Na boca denotam-se bastante os taninos de grande qualidade, acidez bem integrada e um final longo e elegante.
Sugestões: Deve ser servido a uma temperatura de 16ºC — 18ºC. Acompanha bem grelhados de carne, pratos de carne de caça e alguns queijos.
Teor Alcoólico: 13.0%
Viña Tondonia Reserva Tinto 2005
Mais uma vindima de intemporalidade feita vinho. O seu característico longo envelhecimento em barrica e repouso em garrafa é um reflexo da perícia da histórica adega López de Heredia em criar tintos suaves, redondos, bem desenvolvidos e com uma longa capacidade de envelhecimento, tal como o seu emblemático reserva. Um vinho clássico que não deixará ninguém indiferente e que provém de uma colheita considerada como Excelente pelo conselho regulador da D.O.C.
Este Viña Tondonia Reserva Tinto 2005 é um vinho clássico da região espanhola Rioja, mundialmente reconhecido pela sua entrega e pela sua exepcional capacidade de guarda. Vinhos intemporais e quase imortais, tal é a sua belíssima construção. Este 2005 é um vinho sedoso, domado pelo tempo e um vinho que certamente o irá surpreender.
Castas: Tempranillo, Garnacha, Graciano, Mazuelo
Vinificação: Uma vez na adega, as uvas passam por um desengaçador para remover os caules e o mosto fermenta com as peles em grandes cubas de carvalho de 240 hectolitros.
Envelhecimento: Envelhecido durante 6 anos em barricas de carvalho. Passa por duas trasfegas por ano.
Notas de Prova: Cor vermelha rubi brilhante com ligeiras tonalidades alaranjadas. Nariz muito fino e persistente, fresco, tostado com leves aromas de baunilha. Na boca é muito seco, liso, redondo e desenvolvido.
Sugestões: Deve ser servido a uma temperatura de 16ºC. Ideal para acompanhar pratos todos os tipos de carne, seja de vaca ou de aves.
Teor Alcoólico: 13.0%
Sidónio de Sousa Vinho d’Autor Baga Tinto 2009
É, sem dúvida, um vinho que personifica o que de melhor se faz na região da Bairrada com a casta Baga, que tem vindo a ser descoberta como uma das grandes castas nacionais não só pela qualidade de vinhos que produz mas também pela sua resistência ao tempo.
Este Sidónio de Sousa Vinho d’Autor Baga Tinto 2009 conta com aromas fortes e vinosos da casta Baga. Na prova evidencia frescura, taninos potentes envolvidos numa boa estrutura que garante um envelhecimento enriquecedor. A colheita de 2009, juntamente com a mestria da sua enologia fazem com que seja um vinho surpreendente e merecedor de estar nas melhores mesas.
Castas: Baga
Vinificação: Esmagamento sem decantação com arrefecimento das uvas na adega em pequenas adegas abertas, onde se inicia a maceração pelicular e depois a fermentação, sem adição de enzimas e leveduras. A pisa é feita manualmente com massas de madeira para aumentar uma maior extracção dos vinhos característicos da casta Baga.
Envelhecimento: Após a fermentação em pequenas adegas abertas, o vinho passa para cubas de cimento e cubas de inox, onde repousa até dezembro, altura em que é limpo e transferido para barricas de 4.000 litros de carvalho nacional durante 12 meses.
Notas de Prova: Com grande concentração de cor granada, aroma intenso da casta. Na boca é um Baga clássico, com acidez e taninos bem definidos, mas redondos com estágio de 8 anos, mantendo a sua frescura e intensidade gustativa.
Sugestões: Deve ser servido a uma temperatura de 16ºC — 18ºC. Ideal para acompanhar pratos de assados e grelhados de carnes vermelhas bem condimentadas “chanfana” e queijos fortes carnes defumadas.
Enologia: Paulo Sousa
Teor Alcoólico: 13.0%
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