CASTAS
Syrah
VINIFICAÇÃO
A vinificação deste Delas Freres Hermitage Les Bessards 2007 adoptou práticas enológicas de precisão e intervenção controlada, com vindima manual e triagem rigorosa antes do desengace total.
A fermentação foi conduzida em cubas inox de capacidade média sob controlo térmico, com macerações prolongadas e uma gestão metodológica de remontagens e pigeages para optimizar a extracção de taninos maduros sem provocar amargor ou notas verdes.
O recurso a leveduras indígenas e a monitorização contínua de parâmetros fermentativos permitiram obter uma extracção fenólica harmoniosa, preservando a pureza aromática da Syrah e garantindo estabilidade colorimétrica.
Após a fermentação alcoólica, a maloláctica foi realizada em barrica para favorecer a integração estrutural entre fruta e madeira e para estabilizar a matriz tânica, sempre com intervenção mínima e provas sensoriais frequentes para calibrar o momento do transvase.
ENVELHECIMENTO
O estágio foi efectuado durante 14 a 20 meses, em barricas de carvalho francês de grão fino e tostagem seleccionada, com uma percentagem significativa de madeira nova cuidadosamente controlada para dar suporte estrutural sem homogeneizar o carácter de terroir.
As barricas utilizadas foram escolhidas por lote e por intensidade de tostagem de modo a modular a cedência de compostos vanílicos e polifenólicos, permitindo ao vinho adquirir volume, polimento tânico e nuance aromática sem perder a tensão mineral intrínseca.
A gestão do estágio incluiu micro-oxigenação passiva na cave, provas regulares e selecção criteriosa dos lotes para o blend final, privilegiando sempre a expressão da parcela Les Bessards. Após o período em madeira, o vinho descansou em garrafa antes de ser comercializado, período durante o qual se deu uma estabilização final da estrutura e do bouquet.
NOTAS DE PROVA
No copo, o Delas Freres Hermitage Les Bessards 2007 manifesta uma cor rubi profundamente saturada com laivos violáceos residuais que indicam integridade cromática. O primeiro impacto olfactivo revela uma fruta negra muito pura, cassis, amora e mirtilo densos, sobre um fundo floral de violeta e pétala de íris que confere elevação ao conjunto.
À medida que o vinho se abre, desenvolvem-se camadas minerais de grafite e pedra aquecida, seguidas por notas complexas de charque de carne maturada, caixa de charutos e leves apontamentos de fumo frio.
A textura aromática integra ainda nuances de especiaria fina, entre as quais pimenta preta esmagada, anis e um registo balsâmico discreto que lembra eucalipto e folha de louro seca.
Em boca o vinho apresenta uma entrada ampla e tensa, a fruta surge concentrada mas polida, os taninos são firmes, de grão fino e perfeitamente extraídos, conferindo uma espinha dorsal que sustém todo o desenvolvimento.
A acidez, clara e energética, dá propulsão e evita qualquer sensação de excesso, permitindo que a mineralidade se exprima em camadas, desde um carácter ferroso inicial até a um final salino quase eléctrico.
O meio de boca desenrola-se em facetas sucessivas onde se intercalam notas de cacau puro, couro nobre, trufa leve e um amargor final de casca de laranja amarga que amplia a sensação de frescura.
O final é de grande persistência, multifacetado e mineral, com um eco prolongado de grafite, violeta seca e pimenta, sinalizando uma estrutura excelente para evolução prolongada em cave.
SUGESTÕES
Deve ser servido a uma temperatura de 16ºC – 18ºC. Quando se pretende emparelhar gastronomicamente o Les Bessards 2007, convém escolher preparações que suportem a sua concentração e a sua tensão mineralizante.
Carnes de caça de sabor nobre e textura firme, como javali ou veado em reduções intensas, costeletas de borrego grelhadas com ervas aromáticas e crosta ligeiramente tostada ou cortes de vaca maturada com molho reduzido de vinho tinto elevam as camadas terciárias do vinho, assim como guisados longos com elementos defumados e especiarias quentes.
Pratos com presença de trufa negra, risotos de cogumelos selvagens e queijos de pasta dura e idade média complementam a textura tânica e ressaltam o componente mineral.
Em contexto de degustação de carácter mais contemplativo, o vinho merece ser servido a copo puro, ligeiramente arejado, para que a sucessão de camadas aromáticas se revele sem concorrência.
ENOLOGIA
Jacques Grange
TEOR ALCOÓLICO
13.5%





