Constantino’s Colheita 1900
CASTAS
Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
VINIFICAÇÃO
O Constantino’s Colheita 1900 é um Vinho do Porto proveniente de uma única vindima, classificado como Porto Colheita, pertencente ao estilo Tawny.
A marca Constantino tem origem em 1877, quando Constantino de Almeida fundou uma empresa dedicada à produção e exportação de Vinho do Porto, tendo a casa adquirido posteriormente uma posição relevante no comércio de vinhos fortificados portugueses.
Actualmente, a marca encontra-se integrada na Sogrape, embora a garrafa de 1900 corresponda naturalmente à produção histórica da antiga casa Constantino.
A natureza de Colheita significa que o vinho provém de uma única colheita — neste caso, 1900 — distinguindo-se dos Tawny com indicação de idade, que resultam normalmente de lotes de diferentes anos.
O estilo Colheita caracteriza-se por uma longa evolução em madeira, responsável por grande parte da complexidade aromática e gustativa que define este tipo de Porto.
A elaboração de um Porto no início do século XX seguia métodos essencialmente tradicionais.
As uvas eram provenientes das vinhas do Douro e a fermentação era realizada de forma relativamente curta, sendo interrompida pela adição de aguardente vínica.
A fortificação permitia conservar parte dos açúcares naturais da uva e conferia ao vinho o elevado teor alcoólico necessário para uma longevidade excepcional.
A composição varietal exacta do Constantino’s Colheita 1900 não se encontra documentada nas fontes actualmente disponíveis.
Esta situação é comum em vinhos produzidos no Douro no final do século XIX e início do século XX, período em que as vinhas eram frequentemente constituídas por numerosas castas plantadas em conjunto.
A identificação actual de castas específicas, sem documentação original, não permitiria uma atribuição suficientemente rigorosa.
A estrutura inicial de um vinho desta natureza dependia da combinação entre concentração, açúcar residual, acidez e álcool.
Estes elementos proporcionavam a base necessária para que o vinho pudesse atravessar décadas de evolução sem perder completamente o equilíbrio.
A colheita de 1900 é particularmente interessante no contexto histórico do Vinho do Porto.
Fontes especializadas classificam 1900 como um ano excelente para a produção de Porto, embora os estilos e características variassem significativamente entre produtores e lotes.
Ao contrário de um Vintage, cuja identidade está associada à preservação da estrutura e da fruta através de prolongado envelhecimento em garrafa, um Colheita é concebido para desenvolver grande parte da sua personalidade através da evolução em madeira.
Esta diferença determina a natureza aromática e gustativa do Constantino 1900.
O resultado de mais de um século de evolução é, portanto, menos dependente da expressão primária das castas e muito mais marcado pelas transformações provocadas pelo tempo, pela madeira e pela oxidação lenta.
ENVELHECIMENTO
O estágio em madeira constitui o elemento fundamental da identidade do Constantino’s Colheita 1900.
Exemplares da referência encontram-se documentados como tendo sido envelhecidos em cascos de carvalho, confirmando a natureza oxidativa do processo de maturação.
Durante o envelhecimento prolongado em madeira, o vinho é submetido a uma exposição lenta e contínua ao oxigénio. Este processo provoca alterações profundas nos compostos aromáticos, fenólicos e corantes.
A cor originalmente mais intensa vai evoluindo progressivamente para tonalidades tawny, âmbar e castanhas, enquanto os aromas de fruta fresca são substituídos por frutos secos, caramelo, especiarias e notas de evolução.
A permanência prolongada em casco promove também uma concentração gradual através da evaporação de água e álcool.
Esta concentração contribui para a textura mais densa e para a intensidade aromática característica dos Colheitas muito antigos.
Com o passar das décadas, os aromas de fruta vermelha e preta presentes na juventude do vinho dão lugar a figo seco, tâmara, passa, noz, avelã, amêndoa e fruta cristalizada.
Paralelamente desenvolvem-se notas de caramelo, melaço, chocolate, café, madeira antiga e especiarias.
A duração exacta do estágio em madeira antes do engarrafamento da garrafa concreta não está indicada de forma consistente nas fontes disponíveis.
Existe, contudo, um exemplar comercial documentado como tendo sido engarrafado em 1977, o que demonstra que pelo menos algumas garrafas desta colheita permaneceram em madeira durante aproximadamente 77 anos antes do engarrafamento.
Esta informação é particularmente importante porque a data de engarrafamento influencia directamente a leitura de um Colheita histórico.
Um exemplar engarrafado em 1977 passou cerca de 77 anos em casco e posteriormente várias décadas em garrafa, enquanto uma garrafa engarrafada numa data diferente poderá apresentar um perfil substancialmente distinto.
A própria documentação comercial alerta para o facto de o ano de engarrafamento poder não corresponder à imagem apresentada, pelo que a identificação do bottling date deve ser feita directamente na garrafa concreta.
A condição de conservação também assume importância excepcional. Existem exemplares documentados em leilão com nível de líquido nº 3, enquanto outros apresentam bom nível mas sinais de fuga.
Um exemplar da Christie’s apresenta nível à base do gargalo, demonstrando que diferentes garrafas podem chegar ao mercado em condições muito distintas.
Num vinho com mais de 120 anos, o nível de enchimento, o estado da rolha, a cápsula, a conservação e a proveniência são factores determinantes para o resultado organoléptico.
NOTAS DE PROVA
O Constantino’s Colheita 1900 apresenta uma cor profundamente evoluída, normalmente situada entre o tawny escuro, mogno, castanho-avermelhado e âmbar, podendo desenvolver reflexos acobreados ou alaranjados no bordo.
A intensidade cromática encontra-se naturalmente condicionada pela evolução em madeira e pelo estado de conservação de cada exemplar.
No nariz, a expressão é dominada pela evolução oxidativa e pela extraordinária idade do vinho, começando por revelar aromas de figo seco, passa, tâmara e sultana, acompanhados por noz, avelã e amêndoa torrada.
A fruta encontra-se completamente transformada pelo tempo, apresentando características secas, concentradas e cristalizadas.
Surgem progressivamente notas de caramelo, toffee, melaço e açúcar queimado, acompanhadas por casca de laranja cristalizada, marmelada e fruta seca.
A evolução aromática acrescenta dimensões de chocolate negro, café torrado, tabaco, chá preto, madeira antiga e especiarias doces.
A componente de frutos secos torna-se particularmente importante, com noz e avelã a assumirem uma expressão profunda e persistente.
Em exemplares com forte evolução oxidativa podem surgir características de rancio, evocando madeira antiga, casca de citrinos seca, couro, ervas aromáticas e elementos balsâmicos.
Na boca, apresenta uma textura macia e sedosa, com a doçura natural de um Porto Colheita equilibrada pela acidez.
A entrada é marcada por caramelo, figo seco, tâmara e frutos secos, evoluindo para chocolate, café, especiarias e citrinos cristalizados no centro de boca.
A longa permanência em madeira contribui para uma textura extremamente polida e integrada, com reduzida percepção dos taninos e uma concentração resultante da evolução e da evaporação ao longo das décadas.
A acidez assume um papel essencial na preservação da frescura, evitando que a concentração de açúcar e extracto resulte num perfil excessivamente pesado.
O final apresenta elevada persistência, prolongando as notas de noz, avelã, caramelo, chocolate, figo seco e casca de laranja.
Uma descrição comercial de um exemplar engarrafado em 1977 caracteriza o vinho como macio, ligeiramente doce, com fruta madura e sabores de avelã, perfil coerente com a evolução oxidativa esperada num Colheita de idade tão avançada.
SUGESTÕES
Deve ser servido a uma temperatura de 14ºC – 16ºC.
O Constantino’s Colheita 1900 apresenta um perfil aromático e gustativo particularmente adequado a alimentos de intensidade média a elevada, sobretudo aqueles que contenham frutos secos, chocolate, caramelo ou componentes salgados capazes de criar contraste com a doçura do vinho.
As nozes, avelãs, amêndoas torradas e pecãs constituem harmonizações naturais, prolongando os aromas de frutos secos desenvolvidos durante o longo envelhecimento em madeira.
Figos secos, tâmaras, passas e laranja cristalizada estabelecem igualmente uma ligação directa com as características aromáticas do vinho.
Entre as sobremesas, destacam-se preparações à base de chocolate negro, caramelo, noz e avelã, como tarte de noz, praliné de avelã, sobremesas de chocolate com frutos secos ou preparações de caramelo pouco doces.
A intensidade da sobremesa deve permanecer equilibrada, uma vez que uma concentração excessiva de açúcar poderá reduzir a percepção da acidez e da complexidade do Porto.
Nos queijos, os queijos azuis, como Stilton, Roquefort ou Gorgonzola, proporcionam um contraste clássico entre salinidade, gordura e doçura, enquanto queijos de ovelha curados permitem uma harmonização mais estruturada e menos contrastante.
O foie gras também apresenta compatibilidade, sobretudo quando acompanhado por citrinos ou elementos ligeiramente doces, permitindo que a acidez do vinho equilibre a gordura do prato.
Pela sua idade e complexidade, o vinho apresenta igualmente condições para ser servido sem acompanhamento gastronómico, permitindo que a evolução aromática seja apreciada de forma integral.
ENOLOGIA
N/A
TEOR ALCOÓLICO
O Constantino’s Colheita 1900 é um vinho fortificado e, embora o seu teor alcoólico exato não seja especificado, os vinhos do Porto têm normalmente um teor alcoólico que varia entre 19% e 22%






