CASTAS
Alicante Bouschet, Aragonez, Trincadeira
VINIFICAÇÃO
N/A
ENVELHECIMENTO
N/A
NOTAS DE PROVA
Este Cartuxa Colheita Tinto 1996, produzido pela Fundação Eugénio de Almeida no coração do Alentejo, é um vinho que reflete com autenticidade o potencial de envelhecimento dos grandes tintos alentejanos clássicos. Com quase três décadas de evolução, apresenta uma tonalidade granada profunda com reflexos acastanhados, típicos da idade, mas ainda com brilho e limpidez que revelam a sua boa conservação.
No nariz, exibe uma complexidade aromática notável, começando por notas de frutos secos como figo e ameixa passa, evoluindo para apontamentos de tabaco, couro velho, trufas, chá preto e um toque subtil de resina, num fundo onde ainda persiste um eco de fruta preta bem madura.
A madeira, proveniente do estágio prolongado em tonéis de carvalho, está perfeitamente integrada, conferindo notas de especiarias doces, como noz-moscada e cravinho, que se misturam com elegantes sugestões balsâmicas e de terra húmida. Com o tempo no copo, o vinho abre ainda mais, libertando camadas aromáticas subtis que remetem à cera de abelha e ao mobiliário antigo, num perfil verdadeiramente clássico e intelectual.
Na boca, revela-se macio, envolvente e perfeitamente polido, com taninos finíssimos já domados pelo tempo, uma acidez equilibrada que confere frescura e sustentação, e um corpo médio a cheio que preenche o palato com suavidade. Os sabores refletem o nariz, frutos secos, especiarias, cacau amargo, cogumelos e notas tostadas, proporcionando uma experiência coerente e profundamente harmoniosa.
O final é longo, fino e persistente, deixando na boca uma sensação de serenidade e nobreza, típica dos vinhos que envelhecem com dignidade. Trata-se de um vinho de meditação, mais do que de celebração exuberante, ideal para ser apreciado com tempo e respeito, pois traduz em cada gole a herança da Cartuxa, o carácter do terroir alentejano e o trabalho paciente da adega ao longo de décadas.
SUGESTÕES
Deve ser servido a uma temperatura de 16º C – 18º C. O Cartuxa Colheita Tinto 1996, com quase trinta anos de envelhecimento, é um vinho de grande nobreza e complexidade, que exige harmonizações à altura da sua sofisticação e subtileza.
Pela sua estrutura suavizada pelo tempo, taninos macios e um perfil aromático dominado por notas terciárias como frutos secos, couro, especiarias e toques balsâmicos, este vinho combina na perfeição com pratos que não se imponham de forma excessiva, mas que ofereçam profundidade de sabor e textura.
Carnes de caça de sabor mais delicado, como perdiz, faisão ou codorniz, em preparações de forno com ervas aromáticas e cogumelos silvestres, são parceiros ideais, pois dialogam com as notas terrosas e evoluídas do vinho. Um estufado de vitela com vinho tinto e legumes de raiz, ou um lombinho de porco preto alentejano assado lentamente com tomilho e alho, também se revelam opções excelentes, oferecendo gordura e suculência que contrastam com a acidez elegante do vinho.
Queijos curados, de pasta firme e sabor prolongado, como um São Jorge velho, um Azeitão de cura longa ou mesmo um Comté de 24 meses, ligam-se de forma sublime ao perfil aromático envelhecido, reforçando o lado salino e especiado do conjunto. Para um momento mais contemplativo e menos gastronómico, este Cartuxa 1996 pode ser servido também ao final da refeição, ligeiramente abaixo da temperatura ambiente, acompanhando frutos secos torrados ou até pequenos pedaços de chocolate negro com flor de sal, que realçam os seus tons de cacau e madeira.
Este é um vinho que convida à serenidade e à conversa pausada, e por isso, mais do que com pratos exuberantes, brilha com gastronomia refinada, de execução cuidadosa, onde cada elemento do prato respeita e valoriza a maturidade e a elegância do vinho.
ENOLOGIA
Pedro Baptista
TEOR ALCOÓLICO
13.5%





