Dom Perignon Vintage 1992
VINIFICAÇÃO
A vinificação segue os princípios rigorosos e altamente técnicos que caracterizam este Dom Pérignon 1992. A colheita é manual e criteriosa, permitindo que apenas os cachos com maturação ideal sejam seleccionados.
Após prensagem suave, o mosto é separado em frações, garantindo um controlo preciso da qualidade de cada parcela.
A fermentação alcoólica decorre em cubas de aço inoxidável a temperatura controlada, preservando a pureza aromática e a elegância das castas.
Ao contrário de algumas casas de Champagne, Dom Pérignon utiliza exclusivamente vinhos base que não passam por madeira, mantendo assim uma clareza e precisão distintas.
A fermentação maloláctica é completamente realizada, o que confere maior suavidade e textura cremosa ao vinho, especialmente importante em anos como 1992, onde a acidez natural foi particularmente marcada.
A “assemblage” final procura sempre alcançar o equilíbrio entre profundidade, harmonia e longevidade, valores centrais da filosofia da marca.
ENVELHECIMENTO
Após a tiragem, o Dom Pérignon Vintage 1992 envelhece longamente “sur lies” nas caves históricas da casa, num ambiente frio e estável que favorece um desenvolvimento aromático subtil e lento.
O período de estágio estende-se por vários anos, permitindo que o champagne adquira notas de brioche, frutos secos e complexidades secundárias decorrentes da autólise das leveduras.
Durante este tempo, as bolhas tornam-se mais finas e integradas, adquirindo uma textura cremosa e uma mousse delicada.
Após o “dégorgement”, o vinho repousa mais algum tempo antes de ser lançado no mercado para assegurar uma perfeita integração entre o vinho e a dosagem.
Hoje, com mais de duas décadas de envelhecimento em garrafa, o Vintage 1992 encontra-se numa fase de evolução plena, exibindo uma paleta aromática rica, complexa e altamente sofisticada, com notas terciárias refinadas mas mantendo ainda uma surpreendente vitalidade.
NOTAS DE PROVA
Na prova visual, o Dom Pérignon 1992 apresenta uma cor dourada luminosa e profunda, com reflexos âmbar delicados que denunciam o seu avançado estado de evolução, mas retendo ainda uma impressionante vivacidade.
A perlage é fina, persistente e elegante, formando uma cadeia de bolhas minúsculas que se elevam com cadência regular, revelando a qualidade da longa maturação em contacto com as leveduras.
No nariz, a complexidade é imediata e expansiva, oferecendo uma tapeçaria aromática que se desdobra continuamente no copo.
Inicialmente surgem notas de maçã assada, marmelo em calda e pêra madura, acompanhadas por nuances de citrinos confitados, especialmente casca de limão e laranja cristalizada.
À medida que o vinho respira, emergem camadas secundárias de brioche quente, massa de pão fermentada, amêndoa torrada e avelãs caramelizadas, seguidas de notas mais profundas de mel de acácia, nougat, toffee e manteiga noisette.
A evolução no copo revela ainda aromas de cogumelos selvagens, terra húmida, trufa branca subtil, além de uma delicada nota fumada e uma mineralidade cortante que remete para o giz e calcário dos solos de Champagne.
Há também um carácter ligeiramente salino e iodado, como uma brisa marítima distante, que reforça a profundidade e frescura do vinho.
Na boca, o champagne é simultaneamente amplo, estruturado e incrivelmente refinado. A entrada é envolvente, quase cremosa, mostrando uma mousse fina e perfeitamente integrada que se dissolve no palato com elegância.
O perfil aromático repete-se com maior definição: maçã cozida, citrinos maduros, mel, frutos secos e brioche são acompanhados por uma vibrante acidez que ilumina o conjunto e sustenta toda a estrutura.
O meio de boca é poderoso, revelando notas de caramelo salgado, chá preto, especiarias finas e um toque subtil de fumo e grafite.
A textura é sedosa mas firme, demonstrando a combinação ideal entre Pinot Noir e Chardonnay num ano fresco como 1992.
O final é muito longo, seco, austero e profundamente mineral, deixando uma sensação prolongada de frutos secos, casca de citrinos, manteiga dourada e um eco salino que perdura com elegância.
É um champagne que transmite serenidade, profundidade e maturidade, mas que ainda preserva precisão e energia suficientes para continuar a evoluir.
SUGESTÕES
Deve ser servido entre 8ºC – 10ºC.
O Dom Pérignon Vintage 1992 harmoniza maravilhosamente com pratos refinados como lagosta grelhada, lulas salteadas em manteiga, vieiras braseadas, carabineiros, lavagante ao natural ou peixes nobres como robalo, linguado ou rodovalho.
Acompanha também com excelência pratos de aves delicadas, como perdiz ou codorniz, especialmente quando preparadas com molhos cremosos.
Queijos de pasta mole e pouco intensos, como brie trufado ou camembert muito cremoso, realçam a sua subtileza.
Para uma experiência mais clássica, funciona na perfeição com caviar ou com pratos com trufas, que amplificam a sua profundidade.
ENOLOGIA
Richard Geoffroy
TEOR ALCOÓLICO
12.5%




