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1974 Mouchão Tinto

1974 Mouchão Tinto

125.00

Esgotado

Abrir uma garrafa de Mouchão 1974 é uma experiência sensorial que ultrapassa o simples acto de provar vinho; é tocar numa peça viva da história do Alentejo.

A cor apresenta-se ainda surpreendentemente opaca e profunda para a idade, num tom granada escuro com reflexos acastanhados na orla, mas conservando densidade no núcleo, demonstrando a extraordinária longevidade do Alicante Bouschet.

O nariz revela uma complexidade avassaladora, evoluindo minuto após minuto no copo. Surgem, em primeiro plano, aromas de frutos negros secos, ameixa passa, figo preto desidratado, cereja escura, envolvidos por notas balsâmicas austeras e profundamente nobres.

Esgotado

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CASTAS
Alicante Bouschet

VINIFICAÇÃO
A vinificação do Mouchão 1974 seguiu o método tradicional que tornou o produtor famoso: fermentação em lagares de pedra com pisa a pés, um processo totalmente manual que permite extracção controlada de cor e taninos, ao mesmo tempo que evita agressividade e preserva a autenticidade varietal.

As uvas, colhidas à mão, eram desengaçadas parcialmente ou na totalidade, dependendo da maturação do ano, e colocadas nos lagares para fermentação espontânea, recorrendo muitas vezes às leveduras indígenas presentes na adega. A temperatura da fermentação era naturalmente regulada pelo próprio lagar, conferindo ao mosto uma evolução lenta e harmoniosa.

A separação entre vinho de lágrima e vinho de prensa era feita com rigor, garantindo que apenas o melhor material enológico seguia para estágio. Este método, aliado a práticas de intervenção mínima, resultava num vinho denso, autêntico, vigoroso e concebido para envelhecer durante décadas.

ENVELHECIMENTO
O estágio do Mouchão 1974 realizou-se em grandes tonéis de madeira avinhada, utilizados há longos anos, onde o vinho repousou com uma oxigenação muito suave e gradual.

Estes tonéis antigos oferecem uma micro-oxigenação controlada sem transmitir sabores dominantes de madeira nova, permitindo que o Alicante Bouschet expres­se plenamente o seu carácter varietal e a sua profundidade natural.

O estágio prolongado, frequentemente superior a dois anos, contribuiu para amaciar taninos, estabilizar cor e desenvolver as primeiras nuances complexas que mais tarde se aprofundariam em garrafa.

Após o período em madeira, o vinho foi engarrafado sem pressa e iniciou uma longa evolução em cave, onde, ao longo de cinco décadas, ganhou uma arquitectura aromática extraordinária e uma harmonia que só os grandes vinhos de guarda conseguem alcançar.

NOTAS DE PROVA
Abrir uma garrafa de Mouchão 1974 é uma experiência sensorial que ultrapassa o simples acto de provar vinho; é tocar numa peça viva da história do Alentejo.

A cor apresenta-se ainda surpreendentemente opaca e profunda para a idade, num tom granada escuro com reflexos acastanhados na orla, mas conservando densidade no núcleo, demonstrando a extraordinária longevidade do Alicante Bouschet.

O nariz revela uma complexidade avassaladora, evoluindo minuto após minuto no copo. Surgem, em primeiro plano, aromas de frutos negros secos, ameixa passa, figo preto desidratado, cereja escura, envolvidos por notas balsâmicas austeras e profundamente nobres.

À medida que respira, abre-se em camadas sucessivas de caixa de charutos antiga, madeira de cedro, alcatrão subtil, grafite, terra molhada, cacau puro e especiarias exóticas como pimenta-da-jamaica, noz-moscada e um leve toque de anis estrelado.

Com mais tempo, emergem nuances que apenas o longo envelhecimento pode conferir: couro polido, folhas secas, tabaco de cachimbo, resina de pinheiro, trufas pretas e um intrigante toque medicinal, quase apotecário, que remete para bálsamo, eucalipto seco e aromas de botica antiga.

A profundidade aromática é tão extensa que cada inspiração parece revelar uma memória diferente do vinho. Na boca, o Mouchão 1974 mostra porque é um dos grandes ícones do vinho português. A entrada é ampla, cheia e envolvente, mas imediatamente se destaca a elegância com que o vinho se movimenta no paladar, como se cada elemento estivesse em perfeito equilíbrio.

Os taninos, embora presentes, estão finíssimos, completamente polidos pelo tempo, mas ainda capazes de sustentar a estrutura monumental do vinho. A acidez, inesperadamente viva para um tinto alentejano com meio século, desempenha um papel crucial ao conferir frescura, tensão e uma verticalidade que impede qualquer sensação de peso.

Os sabores reproduzem fielmente a complexidade aromática: fruta negra seca, chocolate negro amargo, compota subtil de ameixa, café frio, terra húmida, especiarias e uma componente herbácea elegante que recorda arbustos mediterrânicos envelhecidos, como esteva e rosmaninho seco.

O meio de boca é profundo, largo e texturado, revelando uma combinação rara entre densidade e subtileza. O final é interminável, prolongando-se em notas de cacau, frutas maceradas, couro e um eco balsâmico que permanece durante longos segundos, quase minutos. É um vinho contemplativo, solene e absolutamente único.

SUGESTÕES
Deve ser servido a uma temperatura de 14ºC – 16ºC. O Mouchão 1974 é um vinho de grande monumentalidade e, por isso, pede pratos igualmente intensos e profundos. Acompanha na perfeição borrego assado longamente, javali estufado, cozido de caça, perdiz com vinho tinto ou pratos tradicionais alentejanos de sabor pronunciado.

Liga magistralmente com carnes maturadas, pratos de cogumelos selvagens, trufas e queijos muito curados, como Serpa velho, Azeitão de longa cura ou queijos artesanais de pasta dura e aromas fortes. Pela sua complexidade, também pode ser apreciado sozinho, em momentos de contemplação.

ENOLOGIA
N/A

TEOR ALCOÓLICO
13.0%

Peso 1 kg
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