/
/
/
2003 Pera Manca Tinto

2003 Pera Manca Tinto

699.00

3 em stock

O Pêra-Manca Tinto 2003 apresenta uma cor granada profunda e evoluída, característica de um vinho que já ultrapassou duas décadas de envelhecimento, podendo revelar reflexos rubi e ligeiramente acastanhados junto ao bordo consoante as condições de conservação da garrafa.

No nariz apresenta uma expressão fina, concentrada e progressivamente terciária, com fruta madura e confitada a assumir um papel central, acompanhada por ameixa, cereja, groselha e frutos vermelhos maduros.

A evolução acrescenta uma componente especiada marcada, com pimenta preta, especiarias doces e nuances balsâmicas, enquanto o estágio prolongado em madeira contribui para aromas de baunilha, chocolate negro, café torrado, madeira envelhecida e ligeiras notas fumadas.

3 em stock

Partilhar

Pera Manca Tinto 2003

CASTAS
Trincadeira, Aragonez

VINIFICAÇÃO
O Pêra-Manca Tinto 2003 é produzido pela Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, e constitui uma das referências mais emblemáticas do vinho português.

A marca Pêra-Manca é reservada pela Fundação para vinhos de excepção e, no caso dos tintos, assenta na combinação das castas Trincadeira e Aragonez, provenientes de parcelas seleccionadas.

A própria documentação da Fundação indica que a primeira colheita do actual Pêra-Manca Tinto ocorreu em 1990, fazendo da colheita de 2003 uma das primeiras gerações deste vinho na sua concepção moderna.

A produção do Pêra-Manca está condicionada pela qualidade da vindima e pela evolução das uvas durante o ciclo vegetativo.

Para esta referência, são seleccionadas uvas provenientes de vinhas maduras e de talhões específicos, procurando-se anos em que a maturação decorra de forma gradual, sem excesso de stress hídrico, permitindo preservar a capacidade aromática, a concentração e o potencial de extracção das castas.

A documentação relativa à colheita de 2003 refere vinhas com aproximadamente 25 anos de idade, enquanto outras fichas comerciais descrevem as parcelas como provenientes de vinhas com mais de 30 anos, diferença que poderá resultar da evolução das parcelas consideradas ou da forma como as fontes apresentam a informação.

A vindima é realizada quando as uvas atingem o estado de maturação considerado adequado, sendo transportadas rapidamente para a adega.

O processo inicia-se com desengace total e ligeiro esmagamento, procurando preservar a qualidade da matéria-prima e permitir uma extracção progressiva durante a fermentação.

A fermentação é realizada com temperatura controlada, permitindo gerir a extracção de cor, aromas e compostos fenólicos das películas.

A informação técnica específica do 2003 indica fermentação em cubas de inox com temperatura controlada, seguida de uma maceração pós-fermentativa prolongada.

A maceração prolongada desempenha um papel fundamental na construção estrutural do Pêra-Manca Tinto.

A Trincadeira e o Aragonez possuem características complementares, com a primeira a contribuir para a acidez, estrutura e componente especiada, enquanto o Aragonez acrescenta fruta, concentração e dimensão tânica.

A extracção prolongada permite obter um vinho com maior profundidade cromática e uma estrutura fenólica suficientemente robusta para suportar o estágio em madeira e a posterior evolução em garrafa.

A combinação entre maturação controlada, selecção das parcelas, extracção prolongada e utilização criteriosa da madeira procura produzir um vinho capaz de envelhecer durante muitos anos.

A própria descrição técnica do vinho destaca a qualidade dos taninos e da madeira utilizada como factores determinantes para a sua longevidade.

A colheita de 2003 apresenta, assim, uma estrutura concebida para envelhecimento prolongado, mas sem depender exclusivamente da potência.

O objectivo enológico é a construção de um vinho concentrado, complexo e elegante, no qual a fruta madura, a estrutura tânica, a acidez e a madeira permaneçam progressivamente integradas.

ENVELHECIMENTO
O estágio do Pêra-Manca Tinto 2003 constitui uma das componentes centrais da sua identidade.

Depois da fermentação e maceração, o vinho permaneceu 18 meses em madeira, em tonéis de aproximadamente 3.000 litros, seguindo-se posteriormente um período prolongado de estágio em garrafa nas caves do Mosteiro da Cartuxa.

A documentação técnica do Clube Pêra-Manca indica 18 meses em madeira e 12 meses em garrafa para esta colheita, enquanto outras fontes comerciais indicam 24 meses em garrafa antes da comercialização.

A utilização de tonéis de 3.000 litros permite uma relação madeira/vinho significativamente mais moderada do que a obtida através de barricas de pequena capacidade.

Este factor é importante num vinho destinado a envelhecimento prolongado, pois permite que a madeira contribua para a estrutura aromática e para a integração dos taninos sem dominar a expressão da fruta.

Durante os 18 meses de estágio, ocorre uma evolução gradual dos compostos fenólicos extraídos durante a vinificação.

Os taninos tornam-se progressivamente mais polidos, enquanto os aromas primários e secundários começam a integrar-se com as notas provenientes da madeira.

A evolução contribui para o desenvolvimento de aromas de especiarias, baunilha, café, chocolate, madeira tostada e frutos secos, mantendo simultaneamente a componente de fruta madura característica do vinho.

Depois do período em madeira, o Pêra-Manca Tinto 2003 permaneceu em garrafa nas caves do Mosteiro da Cartuxa.

Esta fase é particularmente importante porque permite uma evolução mais lenta e redutora, favorecendo a integração dos componentes aromáticos e estruturais.

Ao longo dos anos, a fruta madura começa progressivamente a adquirir características terciárias.

Ameixa, cereja e frutos vermelhos evoluem para fruta confitada, fruta seca e notas balsâmicas, enquanto a madeira deixa de surgir como elemento isolado e passa a integrar-se no conjunto aromático.

A ausência de estabilização tartárica forçada, explicitamente indicada na documentação técnica, preserva uma abordagem de intervenção moderada na preparação do vinho.

O resultado é um vinho que, mais de duas décadas depois da vindima, apresenta condições para revelar simultaneamente a estrutura original da colheita e os efeitos da evolução prolongada em garrafa.

NOTAS DE PROVA
O Pêra-Manca Tinto 2003 apresenta uma cor granada profunda e evoluída, característica de um vinho que já ultrapassou duas décadas de envelhecimento, podendo revelar reflexos rubi e ligeiramente acastanhados junto ao bordo consoante as condições de conservação da garrafa.

No nariz apresenta uma expressão fina, concentrada e progressivamente terciária, com fruta madura e confitada a assumir um papel central, acompanhada por ameixa, cereja, groselha e frutos vermelhos maduros.

A evolução acrescenta uma componente especiada marcada, com pimenta preta, especiarias doces e nuances balsâmicas, enquanto o estágio prolongado em madeira contribui para aromas de baunilha, chocolate negro, café torrado, madeira envelhecida e ligeiras notas fumadas.

A complexidade aromática resulta sobretudo da integração entre a fruta madura, a componente especiada e as notas terciárias provenientes do estágio, sem que a madeira deva surgir como elemento excessivamente dominante.

Na boca apresenta volume, concentração e uma estrutura tânica ainda claramente perceptível, mas progressivamente polida pelo envelhecimento.

A acidez assume um papel importante na manutenção da frescura, equilibrando a concentração da fruta madura e proporcionando tensão ao conjunto.

Os taninos apresentam firmeza, mas encontram-se integrados e revestidos por uma textura mais macia, característica de um vinho com mais de vinte anos.

O centro de boca revela ameixa madura, cereja, groselha, fruta confitada, chocolate negro, café e especiarias, acompanhados por uma dimensão balsâmica que contribui para a profundidade.

A integração do álcool, da acidez, da fruta e da madeira permite uma estrutura equilibrada, evitando que a concentração resulte num perfil excessivamente pesado.

O final é longo e persistente, com notas de café, chocolate, ameixa, groselha, especiarias e madeira antiga a prolongarem-se progressivamente.

Uma prova realizada ainda em 2007, quando o vinho tinha apenas quatro anos, já registava cor rubi intensa, aromas de cereja, groselha, ameixa, balsâmico, baunilha, pimenta negra, chocolate, café e fumo, além de uma acidez considerada muito expressiva, taninos firmes mas domados e álcool bem integrado.

A evolução posterior em garrafa permite esperar uma maior integração destes elementos e uma expressão mais desenvolvida das componentes terciárias.

SUGESTÕES
Deve ser servido a uma temperatura de 14ºC – 16ºC.

O Pêra-Manca Tinto 2003 apresenta estrutura, concentração e complexidade suficientes para acompanhar pratos de elevada intensidade gastronómica, especialmente preparações à base de carnes vermelhas, caça e carnes cozinhadas lentamente.

A combinação com carne de vaca grelhada ou assada, particularmente cortes de sabor intenso, permite estabelecer uma relação directa entre a estrutura tânica do vinho e as proteínas e gordura da carne, enquanto a acidez contribui para limpar o palato.

O rosbife constitui igualmente uma combinação adequada, sobretudo quando acompanhado por molhos de intensidade moderada que não sobreponham a expressão aromática do vinho.

A caça, incluindo veado, javali ou perdiz, apresenta particular compatibilidade com a componente especiada, balsâmica e terciária desenvolvida pelo vinho durante a evolução.

Preparações de caça com redução de vinho, ervas aromáticas, cogumelos ou frutos silvestres podem reforçar as notas de fruta madura e especiarias presentes no Pêra-Manca.

Pratos de borrego assado ou de cabrito também encontram boa afinidade, especialmente quando preparados com ervas mediterrânicas, alho e azeite, criando uma ponte entre a identidade alentejana do vinho e a gastronomia regional.

Entre os queijos, os queijos de pasta dura e curados, particularmente de ovelha, apresentam estrutura suficiente para acompanhar os taninos e a concentração do vinho sem serem dominados por estes.

Queijos muito intensos ou excessivamente salgados devem, contudo, ser utilizados com alguma moderação, de forma a preservar a percepção da acidez e da complexidade aromática.

O vinho pode também acompanhar pratos de cogumelos, trufa ou preparações com redução de carne, uma vez que as notas terrosas e balsâmicas desenvolvidas com a idade encontram afinidade com estes ingredientes.

Para uma garrafa de 2003 em bom estado de conservação, a abertura deve ser cuidadosa e a eventual decantação deve ser adaptada ao estado do vinho, especialmente se existir depósito.

Algumas fontes especializadas recomendam inclusivamente evitar uma decantação agressiva em vinhos antigos, privilegiando uma abertura cuidadosa e uma oxigenação progressiva no copo.

ENOLOGIA
Pedro Baptista

TEOR ALCOÓLICO
14.5%

Peso 1 kg
SIGA-NOS.

Acompanhe as nossas redes sociais para ficar a par de todas as novidades.

NEWSLETTER

Subscreva e não perca os grandes vinhos que temos para si.