CASTAS
Tinto Cão, Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinta Barroca
VINIFICAÇÃO
A vinificação na Quinta do Vesúvio segue um método tradicional absolutamente distintivo: a pisa a pé em lagares de granito, realizada durante a noite, garantindo uma extração delicada mas completa das componentes aromáticas e tânicas.
As uvas são colhidas manualmente e rigorosamente selecionadas à entrada da adega.
A fermentação decorre de forma controlada até atingir o ponto ideal para fortificação, momento em que é adicionada aguardente vínica de alta qualidade, interrompendo a fermentação e preservando açúcares naturais.
Este método clássico, aliado à precisão enológica, dá origem a um vinho de grande profundidade, energia e pureza.
ENVELHECIMENTO
Após a fortificação, o vinho estagia em grandes tonéis de madeira usada, onde permanece cerca de dois anos, ganhando integração, equilíbrio e definição aromática sem que ocorra oxidação significativa.
A decisão de engarrafamento obrigatório para Vintage destina-se a preservar o carácter frutado, poderoso e estrutural do vinho, permitindo que o envelhecimento posterior aconteça essencialmente em garrafa.
O 2011, considerado um dos maiores anos do século para o Douro, mostra desde cedo uma harmonia rara entre concentração, frescura, elegância e capacidade de guarda, prometendo evoluir brilhantemente ao longo de décadas.
NOTAS DE PROVA
No aspeto visual, este Quinta do Vesúvio 2011 apresenta uma cor púrpura opaca, quase negra no centro, com reflexos azulados que evidenciam a sua juventude e profundidade.
No nariz, revela-se imediatamente exuberante, com uma intensidade aromática impressionante que combina fruta negra muito madura, como amora silvestre, mirtilo e ameixa preta, com nuances florais de violeta e esteva que lhe conferem distinção e frescura.
Com a oxigenação, surgem camadas mais profundas de cacau, compota de frutos do bosque, bergamota, licor de cassis e notas minerais de xisto quente, além de subtis apontamentos de especiarias como pimenta preta e cravinho.
Há ainda um toque balsâmico elegante, lembrando resina de pinheiro e eucalipto, que dá amplitude e equilíbrio ao conjunto.
Na boca, o vinho mostra-se monumental, com uma estrutura densa e impressionante, mas ao mesmo tempo impecavelmente equilibrada.
A entrada é poderosa e envolvente, revelando uma explosão de fruta negra concentrada, que se mantém vibrante ao longo de todo o palato.
A textura é firme, quase musculada, sustentada por taninos abundantes, extremamente finos e de grão apertado, que criam uma sensação de grande profundidade e potencial de longevidade.
A acidez, notavelmente alta para um ano tão quente, proporciona frescura e precisão, impedindo qualquer sensação de peso e garantindo um perfil elegante.
A meio de boca, surgem camadas adicionais de chocolate negro, figo seco, groselha preta, tabaco doce e um toque subtil de grafite, que reforçam o carácter complexo e multifacetado deste Vintage.
O final é extraordinariamente longo, persistente e expansivo, deixando no palato ecos de fruta negra intensa, especiarias finas, cacau e uma nota mineral sóbria que traduz fielmente o terroir do Douro Superior.
A sua persistência aromática e textural é de tal modo marcante que permanece minutos após a prova, confirmando tratar-se de um vinho de excepcional categoria e enorme longevidade.
SUGESTÕES
Deve ser servido a uma temperatura de 14ºC – 16ºC. Por se tratar de um Vintage jovem e poderoso, combina particularmente bem com queijos intensos e de pasta mole, como Stilton, Roquefort, Serra da Estrela bem curado ou queijo da Ilha com vários anos de maturação.
Acompanha igualmente sobremesas ricas à base de chocolate negro, frutos vermelhos ou compotas densas.
No entanto, muitos apreciadores preferem desfrutá-lo sozinho após a refeição, como vinho de meditação, onde toda a sua profundidade e complexidade podem ser plenamente apreciadas.
ENOLOGIA
Charles Symington
TEOR ALCOÓLICO
14.0%




