VINIFICAÇÃO
O Pera Manca Branco 2008 representa uma das mais emblemáticas expressões de vinho branco do Alentejo, produzido pela histórica Fundação Eugénio de Almeida a partir de uvas provenientes das vinhas da Herdade de Cartuxa, situadas nas imediações de Évora.
Este vinho nasce apenas em anos considerados excepcionais, quando as condições climáticas e a qualidade da matéria-prima permitem atingir o padrão qualitativo exigido para a designação Pera Manca.
A vindima foi realizada manualmente, durante as horas mais frescas do dia, com selecção criteriosa das uvas ainda na vinha.
A Antão Vaz, casta estruturante e adaptada ao clima quente do Alentejo, fornece corpo, volume e intensidade aromática, enquanto a Arinto contribui com frescura, acidez natural e capacidade de envelhecimento.
Após a colheita, as uvas foram rapidamente transportadas para a adega, onde passaram por prensagem suave em ambiente controlado, com o objetivo de preservar a pureza aromática e evitar oxidações precoces.
O mosto resultante foi clarificado por decantação estática a baixa temperatura, garantindo maior limpidez e estabilidade antes do início da fermentação.
A fermentação alcoólica ocorreu em barricas novas de carvalho francês, com controlo rigoroso de temperatura, permitindo um desenvolvimento aromático complexo e uma integração gradual entre fruta e madeira.
Durante esta fase, o vinho permaneceu em contacto com as borras finas, que foram regularmente agitadas através de batonnage, técnica que contribui para aumentar a textura, a complexidade e a profundidade do vinho.
ENVELHECIMENTO
Após a fermentação, o vinho permaneceu em estágio prolongado nas mesmas barricas de carvalho francês onde fermentou.
Este período de maturação sobre borras finas teve um papel fundamental na construção da estrutura e na complexidade aromática do vinho.
A autólise lenta das leveduras libertou compostos que enriqueceram a textura do vinho, conferindo maior volume de boca, cremosidade e profundidade aromática.
Simultaneamente, a micro-oxigenação natural proporcionada pela madeira permitiu uma evolução gradual e controlada, favorecendo a integração dos taninos do carvalho e o desenvolvimento de aromas terciários subtis.
O estágio em barrica foi cuidadosamente monitorizado para garantir equilíbrio entre a expressão varietal e a influência da madeira.
Após este período, o vinho foi engarrafado e permaneceu vários anos em envelhecimento em garrafa antes de ser colocado no mercado, permitindo a integração completa dos seus elementos estruturais e aromáticos.
Este prolongado processo de maturação confere ao Pera Manca Branco uma capacidade de envelhecimento invulgar para vinhos brancos portugueses, permitindo evolução positiva ao longo de décadas.
NOTAS DE PROVA
Visualmente, o Pera Manca Branco 2008 apresenta uma cor dourada intensa com reflexos ligeiramente âmbar, revelando já alguma evolução em garrafa, mas mantendo brilho e vivacidade.
No nariz, revela uma expressão aromática rica e complexa. As notas primárias de fruta madura incluem pêssego, alperce e citrinos maduros, acompanhadas por nuances de maçã assada e pera.
Estas notas frutadas são elegantemente complementadas por aromas provenientes do estágio em madeira, como baunilha, frutos secos, amêndoa tostada e ligeiros apontamentos de brioche.
Com aeração, surgem camadas adicionais de complexidade, incluindo mel delicado, flores secas, especiarias suaves e subtis notas minerais.
A integração entre fruta, madeira e evolução aromática é harmoniosa e sofisticada. Na boca, apresenta uma entrada ampla e envolvente, com textura cremosa e grande volume.
A acidez proporcionada pela Arinto mantém o vinho equilibrado e fresco, evitando qualquer sensação de peso excessivo. O meio de boca revela grande profundidade, com camadas de fruta madura, notas tostadas e mineralidade subtil.
O final é longo, elegante e persistente, deixando impressões de citrinos maduros, frutos secos e madeira nobre perfeitamente integrada.
SUGESTÕES
Deve ser servido a uma temperatura de 10ºC – 12ºC. O Pera Manca Branco 2008 apresenta estrutura, complexidade e riqueza suficientes para acompanhar pratos de elevada gastronomia.
Harmoniza particularmente bem com peixe de carne firme, como robalo ou pregado assado, pratos de marisco nobre como lagosta ou lavagante, e preparações que incluam molhos delicados à base de manteiga ou natas.
Também funciona de forma exemplar com pratos de aves, como frango de capoeira ou perdiz, especialmente quando preparados com molhos suaves ou ervas aromáticas.
A sua textura cremosa e acidez equilibrada permitem igualmente acompanhar pratos de inspiração mediterrânica, onde a gordura e a intensidade aromática encontram contraponto na frescura do vinho.
Queijos de pasta mole e média cura, especialmente de leite de ovelha, constituem também uma harmonização muito interessante.
ENOLOGIA
Pedro Baptista
TEOR ALCOÓLICO
13.5%




