Esporao Reserva Magnum Tinto 2005
CASTAS
Trincadeira, Aragonez, Cabernet Sauvignon
VINIFICAÇÃO
O Esporão Reserva Magnum 2005 representa uma das mais bem conseguidas interpretações do vinho que, desde meados da década de 1980, se tornou uma referência incontornável da enologia portuguesa.
Produzido na Herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz, este vinho simboliza o encontro entre a tradição vitícola do Alentejo e uma abordagem enológica moderna, rigorosa e profundamente orientada para a longevidade.
A colheita de 2005 foi particularmente favorável.
O inverno proporcionou reservas hídricas suficientes para o desenvolvimento equilibrado das videiras, enquanto a primavera decorreu com temperaturas moderadas, permitindo um crescimento vegetativo uniforme.
O verão foi quente e seco, típico do Alentejo, mas sem episódios prolongados de calor extremo que comprometessem a frescura das uvas.
Estas condições favoreceram uma maturação lenta e completa, originando bagos pequenos, muito concentrados e com excelente equilíbrio entre açúcar, acidez e maturação fenólica.
As uvas tiveram origem exclusivamente nas vinhas da Herdade do Esporão, implantadas sobre solos graníticos de transição para xisto, com textura franco-argilosa.
A diversidade geológica da propriedade permite que cada casta expresse características muito próprias, contribuindo para a complexidade do lote final.
Cada variedade foi vindimada separadamente durante as horas mais frescas do dia. Após uma rigorosa seleção, os cachos foram desengaçados e sujeitos a um esmagamento muito suave antes de iniciarem a fermentação alcoólica.
A fermentação decorreu em pequenos lagares mecânicos e cubas de aço inoxidável, mantendo temperaturas entre 22 ºC e 25 ºC, permitindo uma extração gradual da cor, dos aromas e dos taninos sem perder elegância.
Após a fermentação alcoólica realizou-se a fermentação malolática, estabilizando naturalmente a acidez e conferindo maior cremosidade ao vinho.
O lote final foi definido apenas depois de inúmeras provas às diferentes castas e parcelas.
O objetivo dos enólogos nunca foi produzir um vinho exuberante ou excessivamente concentrado, mas sim um Reserva capaz de envelhecer durante muitos anos mantendo equilíbrio, elegância e identidade alentejana.
A crítica internacional destacou precisamente essa combinação entre riqueza de fruta, frescura e estrutura, atribuindo-lhe 91 pontos na Wine Enthusiast.
ENVELHECIMENTO
Terminada a fermentação malolática, o vinho iniciou um estágio prolongado em barricas de carvalho americano e francês cuidadosamente selecionadas.
Durante aproximadamente 12 meses, o vinho permaneceu em madeira, onde ocorreu uma lenta micro-oxigenação responsável pela estabilização da cor e pela progressiva polimerização dos taninos.
O carvalho contribuiu igualmente com discretas notas de cedro, baunilha, café torrado, chocolate negro e especiarias doces, sempre procurando complementar — e nunca dominar — a fruta.
Após o estágio em barrica, o vinho foi engarrafado, permanecendo vários meses em cave antes de chegar ao mercado.
Esta fase permitiu integrar plenamente a madeira, a fruta e a estrutura tânica, originando um conjunto extremamente harmonioso. No caso da garrafa Magnum, esta evolução ocorre de forma significativamente mais lenta.
O maior volume de vinho relativamente ao oxigénio presente no gargalo permite uma maturação muito mais gradual, preservando durante mais tempo a fruta, a acidez e a frescura aromática.
Passados cerca de vinte anos da vindima, a Magnum de 2005 encontra-se numa fase particularmente interessante.
Os aromas terciários começam a assumir protagonismo, mas a fruta continua muito viva, sustentada por uma estrutura sólida e por uma acidez que lhe permitirá continuar a evoluir durante mais uma ou duas décadas quando conservada em condições ideais.
NOTAS DE PROVA
Visualmente, o Esporao Reserva Magnum Tinto 2005 apresenta uma cor granada profunda, com ligeiras tonalidades tijolo nas margens, típicas da evolução natural em garrafa.
Apesar da idade, mantém excelente intensidade cromática e uma notável vivacidade. No nariz revela imediatamente uma enorme riqueza aromática.
As primeiras notas recordam ameixa preta madura, amora silvestre, cereja negra e cassis, formando um conjunto frutado intenso e elegante.
À medida que o vinho ganha contacto com o oxigénio surgem sucessivas camadas de chocolate negro, café acabado de torrar, baunilha, cedro e caixa de charutos, provenientes do longo estágio em madeira.
A evolução em garrafa acrescentou aromas terciários de couro fino, tabaco envelhecido, folhas secas, bosque húmido, cogumelos silvestres e delicadas notas balsâmicas.
Desenvolvem-se ainda apontamentos de grafite, especiarias orientais, noz-moscada, pimenta preta e ligeiras sugestões minerais que enriquecem continuamente o perfil aromático.
Na boca apresenta uma entrada ampla e envolvente, marcada por uma textura cremosa e elegante. A fruta madura mantém enorme protagonismo, apoiada por uma acidez surpreendentemente viva que equilibra toda a estrutura.
O meio de boca revela taninos totalmente polidos pelo tempo, mas ainda suficientemente presentes para conferir profundidade e persistência.
Os sabores alternam entre frutos negros maduros, chocolate amargo, café, tabaco, especiarias, cedro e discretas notas minerais.
A integração entre fruta, madeira e evolução é exemplar. Nenhum elemento domina o conjunto, permitindo uma prova extremamente harmoniosa e sofisticada. O final é longo, persistente e muito elegante.
Permanecem durante largos minutos notas de fruta preta madura, chocolate negro, café, especiarias doces, cedro e delicadas sugestões balsâmicas, terminando com uma frescura surpreendente que evidencia o excelente potencial de guarda desta colheita.
Roger Voss descreveu este vinho como rico, sedoso, opulento e simultaneamente suportado por uma estrutura firme e uma frescura vibrante.
SUGESTÕES
Deve ser servido a uma temperatura de 16º C – 18º C. O Esporão Reserva Magnum 2005 é um vinho extremamente versátil à mesa, capaz de acompanhar tanto pratos tradicionais portugueses como cozinha internacional de elevado nível.
Harmoniza de forma magnífica com costeletão maturado, lombo de novilho, vazia grelhada, entrecôte ou outras carnes vermelhas de elevada qualidade.
A estrutura do vinho integra-se perfeitamente com a riqueza proteica destas carnes, suavizando naturalmente os taninos.
É igualmente excelente com cabrito assado em forno de lenha, borrego lentamente assado, javali estufado, arroz de pato, arroz de lebre e pratos de caça preparados com cogumelos silvestres ou reduções vínicas.
Entre os queijos, acompanha particularmente bem Serra da Estrela curado, queijo de Nisa, Manchego velho, Comté envelhecido e Parmigiano Reggiano de longa cura.
Atendendo à idade da colheita, recomenda-se colocar a Magnum na posição vertical durante pelo menos vinte e quatro horas antes da abertura.
Uma decantação entre uma e duas horas permitirá separar o depósito natural e potenciar toda a riqueza aromática.
ENOLOGIA
David Baverstock/Luís Patrão
TEOR ALCOÓLICO
13.5%




