CASTAS
Aragonez, Trincadeira, Cabernet Sauvignon
VINIFICAÇÃO
O Tapada de Coelheiros Tinto 1997 foi produzido num período em que a propriedade afirmava uma identidade própria no panorama do Alentejo, privilegiando elegância, frescura e longevidade em detrimento de excessos de maturação.
As uvas foram colhidas manualmente nas vinhas da histórica Tapada de Coelheiros, implantadas em solos predominantemente graníticos com boa drenagem e excelente capacidade de retenção hídrica, fator crucial num clima de verões quentes e secos.
Após receção na adega, as uvas foram desengaçadas e submetidas a fermentação em cubas de inox com controlo de temperatura, prática já consolidada na década de 90 para garantir precisão técnica e estabilidade.
A maceração foi conduzida de forma equilibrada, com remontagens regulares e controlo rigoroso da extração, procurando preservar fruta e estrutura sem sobrecarga tânica.
O Cabernet Sauvignon desempenhou um papel importante na construção estrutural do lote, enquanto Aragonez e Trincadeira garantiram expressão aromática e tipicidade regional.
A fermentação maloláctica decorreu em ambiente controlado, assegurando estabilidade microbiológica e integração harmoniosa da acidez natural.
ENVELHECIMENTO
Após a fermentação, o vinho foi transferido para barricas de carvalho francês, onde estagiou durante um período significativo, normalmente entre 12 a 18 meses, consoante a evolução do lote.
A escolha do carvalho francês visava conferir estrutura e complexidade aromática sem mascarar a identidade varietal e regional.
Durante o estágio, ocorreu micro-oxigenação gradual através da madeira, promovendo a polimerização dos taninos e o refinamento da textura.
Este processo permitiu desenvolver notas terciárias subtis, integrar a madeira com a fruta e estabilizar a estrutura global do vinho.
Após engarrafamento, o Tapada de Coelheiros 1997 beneficiou de envelhecimento prolongado em garrafa, fase essencial para a sua evolução aromática.
Foi nesse período que os componentes estruturais se fundiram, dando origem a um vinho hoje marcado por elegância madura, profundidade e harmonia.
NOTAS DE PROVA
Visualmente, apresenta uma cor granada evoluída, com reflexos atijolados no bordo, típicos de um vinho com quase três décadas de evolução.
A limpidez e estabilidade cromática evidenciam boa conservação e estrutura sólida. No nariz, revela um perfil aromático complexo e sofisticado.
As notas primárias de fruta evoluíram para um registo mais terciário, dominado por ameixa seca, cereja em licor e compota de frutos negros.
Surgem igualmente apontamentos de tabaco envelhecido, couro fino e cedro, reflexo do estágio em madeira e da evolução em garrafa.
A Trincadeira aporta nuances especiadas e ligeiramente balsâmicas, enquanto o Cabernet Sauvignon acrescenta notas de pimento maduro muito subtil, grafite e estrutura aromática mais vertical.
Com aeração, emergem ainda notas de folha seca, terra húmida, ervas aromáticas e uma discreta mineralidade granítica. Na boca, o ataque é suave e envolvente, com taninos totalmente integrados e polidos pelo tempo.
A acidez mantém-se equilibrada, conferindo frescura suficiente para sustentar a estrutura. O meio de boca é harmonioso, com camadas de fruta evoluída, especiarias e madeira integrada.
O final é médio a longo, elegante e persistente, deixando impressões de frutos secos, tabaco e especiarias suaves. Trata-se de um vinho em fase de maturidade plena, onde a força da juventude deu lugar à complexidade e subtileza da evolução.
SUGESTÕES
Deve ser servido a uma temperatura de 12ºC – 18ºC. O Tapada de Coelheiros Tinto 1997 harmoniza particularmente bem com pratos tradicionais de média intensidade, onde a elegância do vinho é valorizada.
Acompanha com distinção carnes assadas, borrego no forno, pratos de caça ligeira e enchidos tradicionais alentejanos.
A sua estrutura madura e taninos polidos permitem igualmente combinação com queijos curados de intensidade média, onde o equilíbrio entre acidez e evolução aromática se revela particularmente eficaz.
Também pode ser apreciado isoladamente, em contexto de prova vertical ou momento contemplativo, permitindo explorar a evolução dos tintos clássicos do Alentejo dos anos 90.
ENOLOGIA
N/D
TEOR ALCOÓLICO
13.0%





