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1864 Blandy’s Grand Cama de Lobos Solera Madeira

1864 Blandy’s Grand Cama de Lobos Solera Madeira

1,250.00

Esgotado

O Blandy’s Grand Cama de Lobos Solera 1864 apresenta uma identidade aromática e sensorial tão profunda que a prova se transforma num acto de recuo no tempo. A cor, de um mogno densíssimo com laivos âmbar e reflexos avermelhados escuros, denuncia imediatamente mais de um século de concentração lenta, evaporação e oxidação controlada.

Ao rodar o copo, as lágrimas descem de forma extremamente lenta, marcando a textura quase oleosa e a densidade glicérica que só os Madeiras seculares conseguem exibir. No nariz, a primeira impressão é avassaladora: uma onda de nozes caramelizadas, amêndoas torradas, avelãs depuradas e figos secos abre o caminho, com uma intensidade aromática que parece quase palpável.

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CASTAS
Bual, Malvazia

VINIFICAÇÃO
A vinificação no século XIX era totalmente manual. As uvas deste Blandy’s Grand Cama de Lobos Solera 1864 eram colhidas por equipas locais, transportadas em cestos de madeira e imediatamente prensadas, sendo o mosto colocado em dornas grandes onde a fermentação decorria de forma espontânea, sem controlo de temperatura e com leveduras nativas.

A fortificação, elemento essencial para definir o estilo do vinho, era realizada com aguardente vínica neutra, adicionada no momento exacto em que os mestres de adega consideravam ter alcançado o equilíbrio ideal entre doçura e estrutura.

A interrupção da fermentação preservava açúcares naturais e permitia ao vinho expressar a profundidade aromática típica dos grandes Madeiras doces ou semi-doces.

A fermentação curta seguida de fortificação precoce dava origem a vinhos com grande riqueza, textura melosa e enorme potencial de envelhecimento oxidativo.

ENVELHECIMENTO
O cerne deste vinho é o seu sistema de solera, iniciado em 1864, composto por pipas-mãe que continham o vinho original dessa colheita. Um solera deste calibre acumula gerações de enólogos e mestres de adega, cada um contribuindo com pequenas quantidades de vinho de anos mais jovens, sempre respeitando o estilo e a integridade do lote.

O estágio decorreu ao longo de décadas em pipas de carvalho muito antigas, quase neutras, onde o vinho evoluiu sob condições de oxidação lenta e evaporação progressiva, o célebre fenómeno da “parte dos anjos”. A constante concentração, aliada à excepcional acidez natural das castas nobres, permitiu ao vinho ganhar densidade, profundidade e carácter cada vez mais complexo.

Os soleras da Blandy’s eram frequentemente armazenados em áreas de maior exposição térmica dentro das adegas, favorecendo a formação de notas caramelizadas, tostadas e salinas, que são assinatura dos grandes Madeiras seculares.

Assim, o Grand Cama de Lobos Solera 1864 tornou-se uma teia sensorial composta por camadas de vinhos de diferentes décadas, culminando num perfil de rara intensidade e sofisticação.

NOTAS DE PROVA
O Blandy’s Grand Cama de Lobos Solera 1864 apresenta uma identidade aromática e sensorial tão profunda que a prova se transforma num acto de recuo no tempo. A cor, de um mogno densíssimo com laivos âmbar e reflexos avermelhados escuros, denuncia imediatamente mais de um século de concentração lenta, evaporação e oxidação controlada.

Ao rodar o copo, as lágrimas descem de forma extremamente lenta, marcando a textura quase oleosa e a densidade glicérica que só os Madeiras seculares conseguem exibir. No nariz, a primeira impressão é avassaladora: uma onda de nozes caramelizadas, amêndoas torradas, avelãs depuradas e figos secos abre o caminho, com uma intensidade aromática que parece quase palpável.

Esta base profunda e doce é rapidamente iluminada por camadas de casca de laranja cristalizada, limão seco, marmelada escura, tangerina confitada e bergamota, criando um contraste vivo entre calor e frescura que só é possível num vinho com acidez naturalmente altíssima e com tantas décadas de concentração.

A seguir, surgem notas que evocam objectos, lugares e atmosferas antigas: madeira encerada de armários centenários, resina de cedro, tabaco loiro guardado em caixas de madeira fina, chá preto muito concentrado e até um toque subtil medicinal, como bálsamos antigos, ceras e elixires que parecem ter sido guardados numa farmácia do século XIX.

À medida que o vinho respira, liberta uma complexidade ainda maior, com aromas de melaço espesso, toffee queimado, açúcar mascavado quente, chocolate negro de altíssima pureza, café frio, cacau alcalino e especiarias doces como noz-moscada antiga, cardamomo, canela fina e pimenta-da-jamaica.

Existe também uma dimensão atlântica inconfundível, uma nota delicadamente salina, iodada e mineral, quase como um vestígio do mar que envolve a ilha e que impregna subtilmente os vinhos mais velhos da Madeira. Esta sensação marítima não domina, mas acrescenta uma profundidade tangível, uma impressão aromática que parece contar a história da ilha, das suas caves húmidas e dos verões quentes em que o vinho repousou em pipas antigas.

Na boca, o vinho apresenta-se com uma autoridade quase absoluta. A entrada é simultaneamente densa, doce e envolvente, revelando uma textura cremosa, quase melosa, que preenche o palato com sabores de marmelada escura, figos maduros em calda, tâmaras caramelizadas, uvas passas douradas, açúcar queimado e compota de citrinos.

Porém, imediatamente a extraordinária acidez natural irrompe, cortando a doçura com uma energia impressionante, como uma lâmina de luz que reorganiza toda a estrutura sensorial. Essa acidez, vibrante e vertical, não só sustém o vinho como o empurra para cima, criando um equilíbrio quase perfeito entre peso e tensão.

No meio de boca, surgem novas camadas: chá preto forte, casca de noz, madeira antiga, cacau amargo, especiarias exóticas, caramelo escuro puxado ao limite, um toque fumado e uma nota mineral que recorda pedra quente molhada pela maresia. A textura é ao mesmo tempo untuosa e firme, com uma profundidade que parece crescer a cada segundo, como se o vinho estivesse a expandir-se dentro da boca.

A concentração é monumental, mas nunca pesada, porque aquela acidez cortante mantém tudo erguido e vibrante. O final é um fenómeno em si mesmo, não termina, prolonga-se. Primeiro surgem ecos de citrinos secos, depois notas de chocolate negro e especiarias, seguidas por uma salinidade elegante e uma impressão balsâmica que refresca o palato.

Minutos depois ainda se sente no fundo da boca uma sombra persistente de frutos secos, madeira antiga e caramelo salgado. É um final quase interminável, que não desaparece mas sim se transforma lentamente, como se o vinho estivesse a contar a sua história em camadas sucessivas de memória aromática.

É um dos raros Madeiras que não apenas se prova, experiencia-se. Cada inspiração, cada movimento do copo, cada segundo de oxigenação revela algo novo. É, literalmente, um vinho maior do que o próprio tempo.

SUGESTÕES
Deve ser servido a uma temperatura de 16º C – 18º C. É um vinho com dimensão quase meditativa, mas quando acompanhado, brilha com uma tarte de frutos secos, especialmente amêndoa ou noz, queijos muito curados, como São Jorge velho, Stilton ou Roquefort, sobremesas de chocolate negro de elevada pureza.

Também patés de caça, foie gras ou terrinas aromáticas, charutos elegantes, de intensidade média, doces conventuais ricos, como toucinho-do-céu ou encharcada. O ideal é optar por harmonizações ricas mas não excessivamente doces, para não competir com a complexidade do vinho.

ENOLOGIA
N/A

TEOR ALCOÓLICO
19.0%

Peso 1 kg
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