CASTAS
Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Brarroca, Tinta Roriz
VINIFICAÇÃO
A vinificação do Quinta do Vale Meão 2001 foi conduzida com uma filosofia de respeito absoluto pelo terroir e pelas castas, combinando métodos tradicionais com controlo técnico rigoroso.
As uvas foram vindimadas manualmente, parcela a parcela, no ponto óptimo de maturação, e transportadas em pequenas caixas para evitar oxidações e esmagamentos indesejados.
Após criteriosa selecção, a fermentação decorreu em lagares e cubas, com pisa mecânica suave e controlo de temperatura, permitindo uma extracção cuidada e progressiva.
O objectivo foi preservar a pureza da fruta e garantir taninos firmes, mas elegantes, evitando qualquer excesso de extracção que pudesse comprometer a finesse do vinho.
ENVELHECIMENTO
O estágio do Quinta do Vale Meão 2001 realizou-se durante cerca de 18 meses em barricas de carvalho francês, maioritariamente novas, provenientes de tanoarias de referência.
Este período permitiu ao vinho integrar a madeira de forma harmoniosa, acrescentando complexidade aromática, estrutura e profundidade sem mascarar a identidade do Douro Superior.
Ao longo do estágio, o vinho foi acompanhado com grande rigor, sendo realizadas trasfegas tradicionais para clarificação natural.
Após o engarrafamento, o vinho permaneceu longamente em cave antes de ser colocado no mercado, iniciando uma evolução lenta e nobre em garrafa.
NOTAS DE PROVA
Visualmente, o Quinta do Vale Meão 2001 apresenta uma cor granada profunda, ainda com surpreendente intensidade no centro do copo, revelando apenas ligeiros reflexos acastanhados na auréola, sinais de uma evolução serena e bem controlada.
No nariz, revela-se imediatamente complexo e profundamente elegante, com uma notável definição aromática.
Surgem notas de fruta preta madura, como amora, cassis e ameixa, envolvidas por nuances de cereja preta em licor, violetas secas e um delicado toque floral típico da Touriga Nacional.
Com aeração, o bouquet abre-se para uma dimensão mais terciária e sofisticada, revelando aromas de cedro, caixa de charutos, tabaco fino, couro macio e especiarias doces, como noz-moscada e cravinho.
Há ainda uma presença clara de grafite, pedra quente e notas balsâmicas subtis, que reflectem o carácter xistoso e quente do Douro Superior.
A madeira surge perfeitamente integrada, oferecendo sugestões de cacau, café ligeiramente torrado e baunilha discreta, sem nunca dominar o conjunto.
Na boca, o vinho apresenta uma entrada firme e envolvente, com taninos sedosos, densos e perfeitamente polidos pelo tempo.
A estrutura é ampla e profunda, mas sempre equilibrada por uma acidez viva que confere frescura e prolonga o vinho ao longo do palato.
O meio de boca revela grande complexidade, com camadas sucessivas de fruta negra, especiarias, notas minerais e um ligeiro apontamento terroso, que acrescenta seriedade e profundidade.
A evolução em boca é longa, contínua e extremamente elegante, sem qualquer quebra. O final é persistente, refinado e muito harmonioso, deixando notas de tabaco, chocolate negro, fruta madura e um toque mineral seco que convida a novo gole.
O Quinta do Vale Meão 2001 encontra-se actualmente num excelente ponto de consumo, oferecendo enorme prazer, mas mantém ainda capacidade para continuar a evoluir positivamente durante vários anos em boas condições de guarda.
SUGESTÕES
Deve ser servido a uma temperatura de 14ºC – 16ºC. Este vinho harmoniza de forma exemplar com pratos de grande intensidade e sofisticação.
Carnes vermelhas assadas ou grelhadas, como lombo de novilho, costeleta maturada ou vitela assada lentamente, são companheiros naturais.
Pratos de caça, como veado, javali ou perdiz, realçam a profundidade e a complexidade do vinho. Também acompanha muito bem pratos tradicionais portugueses de forno, bem como queijos curados de ovelha ou vaca, de pasta dura e longa maturação.
ENOLOGIA
Francisco Olazabal
TEOR ALCOÓLICO
13.5%




